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IGREJA EPISCOPAL ANGLICANA DO BRASIL
CARTA PASTORAL AO POVO DE DEUS NO ANO DE 2009, AD.

“Que a graça, o amor e a paz de Deus, do Senhor Jesus Cristo e do Espírito Santo estejam convosco!”

“Ouçam o que o Espírito Santo diz à Igreja”! (Ap 2-3)

Queridos irmãos e irmãs! O Concílio sempre é um momento de renovar a comunhão, a esperança, a partilha e a renovação que é fruto da ação do Espírito Santo de Deus. Mas, com certeza,  é também, um tempo de despertamento, de acordar do sono e ir em busca de novos rumos que o Espírito Santo faz soar aos nossos ouvidos.

Numa manhã nova para o mundo, a comunidade cristã toma consciência de um fogo novo e um vento impetuoso vem sacudir o seu interior.  Não há mais razão para o medo porque já se realizou de alguma forma a promessa de Cristo, de que não abandonaria os seus. O mistério de Pentecostes leva à Páscoa às suas últimas conseqüências.  Aquele que venceu a morte se torna presente, de modo invisível, mas real, na trama da vida do mundo e no interior da história dos que constituem a Igreja.  Escutando a voz do Espírito Santo os cristãos de todos os tempos terão a garantia de construir a obra de Deus no coração do tempo.

O Espírito Santo mora dentro de nós. A Igreja não é fundamentalmente uma hierarquia, mas construção do Espírito. Nasceu do lado ferido e aberto de Cristo e, ao mesmo tempo, na força do Espírito. No hoje do mundo um grupo de pessoas se sente unido, em comunhão e coeso porque a força do Espírito Santo que animou a Jesus de Nazaré anima-os interiormente. Este grupo de pessoas frágeis e pequenas se vê revestido da força do Espírito.  Coloca-se no seguimento da comunidade que tomou consciência de que o “sopro de Jesus”, “o vento” e o “fogo”, imagens bíblicas do Espírito Santo, animam a sua existência.  Uma força de  Deus trabalha dentro dessa comunidade e suscita serviços e ministérios necessários para a sua vida, que é comunhão contínua.

A Igreja, que somos nós, é um corpo carregado de potencialidades e de energias divinas. No coração da fragilidade do mundo esse grupo de cristãos e cristãs, depositários da força do Espírito, vai discernir a Palavra de Cristo. O Espírito Santo tem a missão de interiorizar a conversão desse grupo ao Evangelho de Jesus Cristo.

Pelo dom do Espírito Santo dado a nós, passamos a compreender a Cristo sob uma nova luz. Muitos têm uma compreensão mais ou  menos intelectual da pessoa de Cristo, mas isto não é suficiente. Somente no momento que este conhecimento se torna interior é que podemos efetivamente falar no conhecimento de Cristo. No interior de nossas comunidades o Espírito Santo faz nascer uma compreensão da força e do vigor de Cristo como absoluto de Deus, alvo de todos os corações, sentido da história e do mundo. Na força do Espírito Senhor as nossas comunidades lêem hoje o Evangelho eterno de Cristo. Esse mesmo Espírito suscita e cria comunidades. Esses homens e mulheres que seguem a Cristo não são ilhas, não se situam isoladamente diante de Cristo, mas vivem em comunhão.

Há uma orientação fundamental na ação do Espírito Santo em vista da formação de comunidades nas quais o amor fraterno será elemento fundamental. Cristo disse que nesse amor fraterno é que os seus seriam reconhecidos. Em comunidade os cristãos e cristãs aprendem a servir. Uns professores de Escola Dominical, outros Catequistas, outros Ministros Leigos, outros visitam enfermos, coordenadores de Sodalícios, outros ainda são profetas de um mundo mais justo em todos os campos da sociedade. Outros ainda serão ministros especiais da Palavra de Deus e dos seus Sacramentos.  A Igreja é servidora e ministerial. E é o Espírito Santo que suscita esses serviços, ouçamos, pois o que o Espírito diz à Igreja. Pois esse mesmo Espírito nos ensina a orar, clama dentro de nós, nos impulsiona para frente. Para a missão.

Na manhã de Pentecostes há um convite a universalidade. Em Babel a humanidade cria divisões. Em Pentecostes se refaz a unidade. Há uma nova língua: a língua do amor derramado dentro dos corações. Não há mais grego, nem romano, nem judeu, nem preto, nem branco, nem senhor, nem escravo. Há uma comunhão/unidade (COMUNIDADE).  Nós compreendemos que a nossa missão é universal. Nada de barreiras de separação. A Boa Nova de Cristo precisa atingir os confins da terra. O Evangelho de Cristo não pode ter laços e algemas. É preciso libertá-lo. É necessário desencadear um processo de libertação no mundo através da ação do Espírito Santo na propagação da Boa Nova.

Através dos tempos o Espírito Santo sempre mexeu e desacomodou a Igreja. Em muitos momentos de marasmo espiritual Ele suscitou vigor e força, no sentido de chamar a atenção para a nossa missão.

Nós. Irmãos e irmãs, somos herdeiros destas primeiras comunidades e como elas, vivemos e proclamamos com a alegria, na força do Espírito Santo, a nossa fé no Cristo Ressurreto. Somos o eco do primeiro Aleluia da Ressurreição e do sopro do Espírito. Nada há a temer, e nesta certeza está ancorada a nossa esperança. Por isso, reunidos em Concílio, podemos afirmar, inspirados na fé, que há esperança para a vida diocesana. Pois o Espírito de Deus está entre nós, caminha conosco os caminhos da nossa vida, e aparece no meio da assembléia, e faz soar a sua voz. Ele enche o nosso coração temeroso, lento e encolhido, para nos dar paz e força para a missão.
Se colocarmos uma rã numa bacia de água fervendo, veremos que instintivamente, ela salta fora dela. Mas se a colocarmos numa bacia de água fria e vamos aumentando gradualmente a temperatura, ela não se dará conta do que está ocorrendo, até que seja demasiado tarde. Este será o destino dos cristãos e cristãs, de paróquias e missões que se instalam na rotina, na apatia, na inércia pastoral, no desânimo, no não acolhimento de novos desafios, no medo de arriscar a construção de um futuro novo. Na contemplação cega de si mesmas,  “a Igreja que vive para si mesma, morrerá por si mesma”. A auto-complacência, o auto-engano é, para nós uma armadilha poderosa, que distorce toda a intenção sincera de uma auto-avaliação e superação de nosso estado estrutural e espiritual. O nosso estilo de vida condiciona a nossa atitude diante da vida e dos desafios que se colocam diante de nós.

Ouçamos o que o Espírito Santo diz à Igreja:

Quando nos chama a viver, planejar, avaliar,agir, e fazer com que o mundo veja a presença do Cristo Ressurreto em nosso compromisso com a integridade da criação e para com o sustento de nossa Igreja, na consciência cada vez maior de que a nossa “contribuição”, com nossos dons, talentos e recursos, e nosso compromisso como membros da comunidade da fé. “ Tudo é nosso porque tudo é de Deus” (1ª Cor 3.23).


Ouçamos o que o Espírito diz à Igreja:

Quando nos mostra que a Igreja em missão, é uma Igreja onde todas as pessoas são chamadas a serem discípulas e testemunhas, a darem razão da sua fé e da sua esperança. Por isso temos a tarefa de capacitarmos todo o Povo de Deus para o exercício  dos vários ministérios. Deus nos está indicando o caminho para o futuro. A Educação Cristã é imprescindível para a formação de toda a nossa liderança, para buscarmos o crescimento e o amadurecimento na fé e na identidade cristã.


Ouçamos o que o Espírito diz à Igreja:d.orlando

Quando somos chamados em nossas comunidades locais a desencadear uma expansão da nossa presença missionária, em fidelidade ao chamado apostólico para uma missão voltada para onde nossa sociedade vive a violência, o medo, a exclusão e a dor. Quando  falamos de expansão missionária estamos falando de testemunho e missão. Fazer missão não significa fazer prosélitos. O proselitismo é apenas uma forma de fazer as pessoas sentarem nos bancos das igrejas. Muitas vivem trancadas dentro de seus templos como um seleto “clube”. Mas o Espírito Santo nos chama a palmilharmos os caminhos de nosso mundo como sinais de sua presença transformadora. Quando Cristo chama os seus discípulos, os chama para mudar a vida, pois o Reino de Deus está chegando. Missão é um consagrar-se à vontade de Deus. O nosso projeto é o Reino e ao mesmo tempo realizamos a Igreja como semente e ensaio do Reino de Deus. A não violência e a promoção da paz e da justiça, do Shalom de Deus, assim como o perdão, a reconciliação e o amor aos inimigos constituem elementos decisivos da agenda da ética de Jesus Cristo. A nossa missão, como seus seguidores e seguidoras implica no exercício pleno desses valores ou não é missão.
Queridos irmãos e irmãs. Vamos como Igreja Diocesana assumir as nossa diferenças e as nossas fragilidades, e, na medida das nossas limitações, procurar responder aos desafios da nossa sociedade, afirmando um conceito de missão que seja propiciador de “saídas” de acordo com o Evangelho, para as questões existenciais de nosso tempo.  Não tenhamos medo de assumir uma dimensão crítica perante a vida, enfrentemos a realidade com a visão e a verdade de Cristo – a verdade que liberta (Jo 8.32)- e, acima de tudo, mostremos amor em nosso coração e toda a ternura divina em nossas ações. Numa palavra, livres do medo pelo amor de Cristo Ressuscitado, e fortalecidos pela presença do Espírito Santo, sejamos “firmes em proclamar a nossa esperança, certos de que Deus não deixará de cumprir as suas promessas” (Hb 10.25).

Ouçamos o que o Espírito Santo diz à Igreja!

Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

Montenegro, 1º de Maio de 2009, AD.
Festa de São Felipe e São Tiago, Apóstolos

D. Orlando Santos de Oliveira – Bispo Diocesano

 

diretório da DM

 

   
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