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Após 15 anos à frente da Paróquia S. Lucas, o Rev. Jorge Alberto da Rosa celebrou a última Eucaristia na condição de pároco, no dia 27 de dezembro. Foram feitos os agradecimentos em nome da Junta Paroquial, da UMEAB, do Coral S. Lucas, do Capítulo S. Lucas da Ordem das Filhas do Rei e da Escola Dominical. O sr. Orlando Machado Ramos, um dos paroquianos mais ativos, também dirigiu uma mensagem ao Rev. Jorge. Na noite de Natal, ele e sua esposa, sra. Maria Aparecida da Rosa, já haviam recebido uma homenagem que constou da entrega de um quadro com uma mensagem de agradecimento e uma cesta natalina. O novo pároco, Rev. Humberto Maiztegui Gonçalves, assumiu a paróquia no dia 1º de janeiro de 2010.
Por Gilnei de Oliveira
Dom Prado: o deão e o sonho
D. Luiz Osório Pires Prado, falecido recentemente, era homem do pampa gaúcho. Como todo homem pampeano, gostava de sonhar, e sonhar alto e longe. Desde jovem, recém graduado do Seminário em São Paulo, ele sonhava. Quando voltava, ainda estudante, pendurado num trem, que fazia a ligação da capital com as cidades vizinhas da metrópole, ao fim do seu estágio semanal, ele sonhava. Com o que? Sonhava com a Igreja – Testemunho do Reino, uma futura paróquia, com um casamento e a construção de uma família, e com o aprofundamento de seus estudos. Quanto aos estudos, sonhava com um grande filósofo francês do século XX, Teillard de Chardin, homem difícil de entender, mas de profunda sabedoria e espiritualidade. E estes sonhos se concretizaram: veio a formatura, a posterior ordenação, uma paróquia pequena, serrana, no interior do Rio Grande do Sul, onde ele mostrou, além do seu preparo teológico e pastoral e do cuidado extremo com os paroquianos, sua alma de pampeano. Mas este pampeano era,também, cosmopolita. Amava a língua francesa como ninguém. E o interesse por Chardin levou-o a obter uma bolsa de estudos na França, onde se especializou neste pensador. Ficou tempo lá suficiente para arranjar grandes amigos, e, cada vez mais, tornar-se um grande teólogo. Da França, ele retornou para o Rio Grande. Primeiro, novamente a cidade serrana, bem gaúcha, S. Francisco de Paula, onde o inverno é tão brabo que até cusco rengueia; depois, uma outra, bem diferente, com muito alemão dando palpite, pois a origem dos povoadores da cidade era essa. Pois não é que o pampeano se deu bem, lá? E o sonho pelo estudo continuou. Ele se tornou uma coisa complicada, que se chama geógrafo, com muita vocação para a ecologia. E ele punha em prática muito do que aprendia, em terras que tinha herdado de seus pais, em companhia de seu irmão. E o sonho continuava a se realizar, nas turmas universitárias para quem ele dava aula, e, também, num Seminário Teológico Regional que existia em Porto Alegre. O cara era bom, mesmo. Mas o amor pela Igreja era enorme, Teologia e devoção anglicana, nem se fala. E o homem lia, estudava, auxiliava os seminaristas e seus paroquianos, etc., até que foi chamado para construir uma Diocese. E ele se bandeou para a zona sul do estado, bem perto do Uruguai, para realizar a tarefa de ser um bispo anglicano em Pelotas e regiões próximas. No tempo em que estava em Pelotas, mostrou suas grandes qualidades de administrador, sonhador e realizador. Viajou pelo mundo inteiro, sempre buscando recursos para fazer crescer a diocese que ele amava. Tempos depois, mais de dez anos, a vida o chamou para perto, novamente, da capital. E o pampeano gaúcho arrumou suas coisas, bem como a família, e foi residir em São Leopoldo/RS. Lembram da cidade dos alemães? Pois é, voltou para aquela, mesmo. Mas, como todo gaúcho irriquieto montou seu acampamento, finalmente, em Novo Hamburgo/RS, outra cidade vizinha. Acho que ele gostava das pessoas daquelas terras, pois antes, na primeira vez que morou em São Leopoldo, pastoreou a sua sede, Novo Hamburgo, Feitoria e Sapucaia do Sul. Foi então que, na década de 2000, foi chamado para trabalhar no Seminário Teológico de Porto Alegre (SETEK), inicialmente como Capelão e professor de Teologias (várias - o pampeano era versátil e profundo teólogo), e depois, como Deão ou Reitor. O homem era ativo que só ele. Vivia pensando grande, para aumentar o Seminário, construir novas dependências. Montou a capela a seu jeito, pois sua grande preocupação, maior do que outras (embora elas também fossem grandes, e o fizessem sonhar bastante) era com a vida devocional dos estudantes. Às vezes, como a maioria dos pampeanos, era durão, mas tinha um coração de manteiga derretida. E como cuidava dos animais, também... Embora se dizendo de tradição beneditina, acho mesmo que ele era um franciscano enrustido. Traduziu muitas obras teológicas do inglês para o português, fazia um boletim semanal devocional, mantinha, também, uma rede de amigos a quem enviava mensagens de ordem espiritual e teológica, por internet. Produziu livros, divulgou o canto e a maneira de ser anglicanas, promoveu vários Cursos de Verão no Seminário, para os interessados em anglicanismo. Enfim, ele respirava anglicanismo. A sua opção de fé. Pois não é que esse homem, tão importante para Igreja, com amigo em todo o canto desse mundo, sonhou e sonhou tanto, que um dia Deus o convidou para sonhar junto d´Ele? Sabem, pampeanos também cansam. E ele estava muito cansado e triste, porque muitos dos seus sonhos não aconteceram. Acho que ele teria ainda muitos sonhos para sonhar, mas, mesmo assim, não foi pego desprevenido. Organizou toda a sua vida familiar antes que seu corpo, cansado, fosse entregue às cinzas. Lutou pelo SETEK até o fim. É interessante como muitos dos bispos de nossa Igreja morrem em serviço. Poucos tiveram a oportunidade de se aposentar. Ele também não teve, pois, aos 66 anos, dormiu no Senhor. Essa é parte da história pessoal de D. Prado, o pampeano sonhador. Pois quem não sonha, não realiza, não faz o trabalho de Deus. Nós, do SETEK, sentimos muito a falta dos seus sonhos. Que o Senhor o acolha nos seus braços amorosos! Amém.
por Vera Lucia Simões de Oliveira |
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